Filmes de super heróis: a salvação e a perdição do cinema atual

Calma. Não fique bravo comigo. Pelo menos ainda não. Tenho certeza que, ao final da leitura, você vai entender o título deste artigo. Antes de começarmos, vale deixar uma coisa muito clara. Eu, Wilson Schmidt Junior, amo, de coração, filmes de super heróis, tanto da Marvel quanto da DC (ou qualquer outro que apareça). Não é a toa que foram cinco as minhas incursões na sala escura para assistir Guerra Infinita e mais três para Ultimato.

Pode se dizer que a cultura cinematográfica popular de super heróis, em uma avaliação superficial, sem a necessidade de se apontar números e dados, foi a grande responsável pela sobrevivência do cinema mundial como tradicionalmente o conhecemos, em meio a um período (vamos voltar uns 10 anos) em que começaram a surgir novas e mais qualitativas mídias, como o DVD, o Blu-Ray e, mais recentemente, os serviços de streaming como Netflix Amazon Prime.

Neste momento de transição e revolução digital, até mesmo com a ascensão da tal da Indústria 4.0, alguma coisa precisava ser feita. É como um velho dizer que gosto de repetir vez ou outra: em momentos de crise, tire o “s”. Crie.

Com o grande apelo trazido pelos live-actions da, até então debutante, Marvel Studios (que tacada de mestre, hein, senhoras e senhores?), o cinema começou a sair dos aparelhos. As grandes salas, agora com a chegada do 3D, entre outras várias tecnologias, começaram novamente a lotar.

Era iniciada a tendência dos grandes arrasa-quarteirões (blockbusters), o que, sinceramente, ainda estamos vivenciando (basta saber que a Disney Studios, por exemplo, teve cinco filmes em 2019 que ultrapassaram a marca do US$ 1 bi em faturamento!).

Se por um lado isso é ótimo, por outro lado cabe a reflexão: como ficam Tarantino, Coppola, Iñárritu, Scorsese e companhia limitada? Conhecidos por produzirem filmes, digamos, mais cerebrais, as produções destes e de diversos outros cineastas, muitas delas premiadas inclusive com o Oscar, acabam ficando marginalizadas.

O público, por sua vez, rodeado de diversas opções mais palatáveis, em sua maioria, infelizmente, por vezes pretere longas como, por exemplo, o vencedor do Oscar de Melhor Filme deste ano, Green Book: O Guia.

Vamos aos números novamente: Green Book acumulou cerca de US$ 200 milhões no mundo todo. Essa é a melhor performance financeira de um vencedor de Oscar desde 2012, quando Argo arrecadou US$ 136 milhões nos EUA e US$ 232 milhões no mundo. Vingadores: Ultimato, por sua vez, fechou o seu circuito mundial com inacreditáveis US$ 2,789 bilhões.

É preciso compreender os exibidores. Eles precisam do lucro para sobreviver em uma indústria altamente taxada no Brasil. O que falta para que nós, espectadores, possamos começar a mostrar mais interesse por os vulgarmente chamados “filmes cabeças”?. Até quando a onda de supers vai durar? Só o tempo dirá. Eu espero que dure muito tempo, e que algo ocorra, algo desperte, para que, assim, os filmes arte também tenham seu espaço.

Afinal de contas, como uma vez disse o mestre Orsol Welles (Cidadão Kane): “O cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho”.

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por Wilson Schmidt Junior

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